O paradoxo das organizações: Feitas para durar ou para inovar?

“em 2020, o índice das 500 maiores empresas será formado por mais de 75% de empresas que não existiam em 2000”.

Por que as empresas sustentam o paradigma de perenidade em um mundo em constante transformação?

As organizações precisam decidir se pretendem ser perenes, o que implica em investir apenas o rendimento do fundo, ou se pretendem atuar enquanto houver fundos, portanto, admitindo a descontinuidade futura da organização. Mas as empresas dificilmente seguiriam esse caminho com facilidade. A mentalidade é outra.

O mercado é um agrupamento informal de compradores, vendedores e intermediários que se reúnem para realizar o intercâmbio econômico. Mas é o consumidor que toma as decisões de compra ou busca alternativas. Isso cria uma dinâmica diferente das empresas.

As empresas “possuem uma superestrutura cognitiva”: planejam e controlam, tomam decisões racionais e evoluem definindo onde e como querem atuar.

Controle significa “manter as coisas no rumo” e é função crítica nas organizações. Mas note o papel primordial do controle: detectar erros e deficiências — desvios negativos — portanto, é um sistema de feedback negativo!

Sem controle, os mercados expurgam as empresas com desempenho inadequado, premiando com riqueza as de melhor desempenho.

Para se proteger da competição, a inovação desempenha um papel crucial: empresas nascentes rivalizam com empresas consagradas, e se a inovação for aceita pelo consumidor, o mercado logo premia a empresa inovadora — criação e destruição.

As empresas são criadas com base no pressuposto da continuidade; seu foco está nas operações.

Os mercados de capitais são criados com base no pressuposto da descontinuidade, seu foco está na criação e destruição”.

O foco em processos contínuos, dita o pressuposto de continuidade das empresas. O mercado funciona de maneira oposta. Se não for pela concorrência,

é pela descontinuidade que a destruição criativa se justifica.

Na dimensão microeconômica, a descontinuidade se deve à: mudança tecnológica (conhecimento), mudança na concorrência internacional (globalização), mudanças de atitude e de políticas governamentais e mudanças do consumidor. A descontinuidade impera.

 “o problema que normalmente está sendo considerado é como o capitalismo administra as estruturas existentes, enquanto o problema relevante é como ele as cria e destrói”.

Ou seja, as empresas esperam administrar a continuidade, ao invés de pensar em como se ajustar à descontinuidade do mercado. Essa orientação condena as empresas à fossilização. A única solução para as empresas é aumentar a taxa de destruição criativa ao nível da do mercado em si, sem perder o controle das operações atuais.

São os mercados que estabelecem o padrão para o ritmo e escala da mudança.

A incapacidade de mudar a cultura corporativa mesmo diante de ameaças de mercado evidentes se explica pelo “impasse cultural”.

Ocorre um enrijecimento gradual das empresas devido a três temores:
o temor de canibalizar uma importante linha de produtos impede a inovação;
o temor do conflito de canais com clientes importantes,
e o temor da diluição de rendimentos que pode resultar da estratégia de diversificação.


Fonte: Sabbag, Paulo Yazigi. Inovação, Estratégia, Empreendedorismo e Crise . Alta Books. Edição do Kindle.