O impasse cultural da INOVAÇÃO CORPORATIVA

Nos primeiros anos de uma empresa a principal emoção é a paixão, a energia que faz as coisas acontecerem. Seus paradigmas ainda estão fluidos, as decisões são caso a caso (ad hoc).

À medida que a empresa amadurece, as paixões perdem o ímpeto e são substituídas por “tomadas de decisão racionais”. Sistemas de treinamento e endoutrinação são implementados; as decisões descentralizadas, com um sistema de metas mensuráveis e estímulos ao desempenho.

Mais tarde, no império do “domínio”, reina a burocracia: tudo e todos funcionam com regularidade e precisão.

A organização cria rotinas defensivas para proteger a empresa contra seu destino. É quando se estabelece o impasse cultural.

Os sistemas de controle, enfatizados desde a juventude da empresa, limitam a criatividade dela devido à sua dependência do pensamento convergente: análise de problemas e soluções corretivas.

A descontinuidade, contudo, prospera no ambiente do pensamento divergente, que amplia o contexto das decisões e remete à inovação.

O novo e a novidade só prosperam se a empresa destruir o que existia, mesmo que seja algo de sucesso no passado.

O sucesso no passado não garante o sucesso em um futuro de descontinuidade.

Existem, pelo menos, três caminhos possíveis:
a empresa pode se revitalizar com o reinício do negócio;
pode se capitalizar, com a criação e destruição simultâneas;
ou com a criação e destruição disruptivas simultâneas.

Contudo, esse equilíbrio difícil entre continuidade e mudança é responsabilidade do conselho de administração e do CEO, que inserem e dão peso à destruição criativa em meio a agenda rotineira.

O divergente em meio ao convergente, enfatiza:

reunir as pessoas certas;
permitir o tempo de incubação adequado;
estabelecer altas aspirações;
fornecer recursos, flexibilidade e prazos;
e garantir o apoio da alta gerência.


Fonte: Sabbag, Paulo Yazigi. Inovação, Estratégia, Empreendedorismo e Crise . Alta Books. Edição do Kindle.