Destruição Criativa

Pode haver novidade sem abandonar algo? É possível implantar o novo sem eliminar o antigo?

Toda inovação implica em algum grau de “destruição”. Para Pablo Picasso, “todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição”.

O termo destruição é forte, mas sem eufemismos, é disso que se trata. Não se aprende sem desaprender, não se substituem paradigmas sem romper com o velho paradigma e assim por diante.

Veja como a destruição criativa está na base do mercado e do capitalismo, em uma era de descontinuidades.

Conflito criativo e destruição criativa

No auge da difusão das ideias de Frederick Taylor nos EUA, em 1925 Mary Parker Follet sugeria acolher o “conflito criativo” nas organizações. Para ela, as divergências cedo ou tarde viriam a se manifestar e precisavam ser enfrentadas.

Uma forma de enfrentar conflitos era a dominação ou imposição, que apenas sufocaria o conflito; outra solução seria a conciliação com concessão de ambos os lados, o que para ela era igualmente nociva. A solução aceitável estava em buscar criativa e cooperativamente uma solução. Nessa condição, a existência de conflito era percebida como positiva, promovendo a evolução da organização.

Nessa época, Joseph Alois Schumpeter, economista economista austríaco, migrou para os EUA e para Harvard onde se tornou o grande difusor do capitalismo.

Para ele, a economia sai do estado de equilíbrio toda vez que ocorre uma inovação que altere consideravelmente as condições de um setor. A introdução de inovação era para ele um “ato empreendedor”.

Ele não foi o primeiro a atribuir ao empreendedor um papel relevante na promoção da riqueza econômica de uma sociedade, contudo revelou os atributos de quem se lança a criar algo novo.

Antes de Schumpeter, o economista Adam Smith tratava de uma “mão invisível” que alterava as condições econômicas permanentemente. Schumpeter chamou o processo de “ventos da destruição criativa”: “o processo de mutação industrial […] revoluciona incessantemente a estrutura da economia de dentro para fora, destruindo incessantemente a antiga, criando incessantemente uma nova. Esse processo de destruição criativa é o fato essencial do capitalismo. É nisso que o capitalismo consiste e no que cada preocupação capitalista deve se concentrar”.

Em comum, Follet, representante da escola de Relações Humanas na Administração, e Schumpeter, irradiador da doutrina do capitalismo, percebiam um motor a determinar a evolução das organizações e da economia, motor que abria espaço para a criatividade e inovação.


Fonte: Sabbag, Paulo Yazigi. Inovação, Estratégia, Empreendedorismo e Crise . Alta Books. Edição do Kindle.