Empreendedorismo de palco

O “empreendedorismo de palco” vem sendo muito difundido com suas palestras e suas teses motivacionais, e está matando os empreendedores brasileiros. Esse tipo de “ajuda” só vende ilusões, fazendo as pessoas acreditarem que é possível faturar alto da noite para o dia apenas seguindo cartilhas e teorias.

Isso não acontecerá. Só os palestrantes é que verão suas contas bancárias engordarem. E o mais chocante disso tudo é que boa parte deles sequer abriu uma empresa de verdade.

E como conseguem isso? São mestres em elaborar palestras, não há como negar. No fundo, esses “empreendedores sem CNPJ” são grandes animadores de palco. Emulam a voz como bons contadores de histórias. Sabem fazer suspense. Contam piadas. Interagem com a plateia.

Eles, na verdade, possuem grande veia artística, são pessoas muito capacitadas para entreter os ouvintes. Você até acha que é fácil colocar a engrenagem para rodar.O problema é que aquilo que ensinam não necessariamente terá grande aplicação no dia a dia do empreendedor.

Quer um exemplo? Vamos falar de um assunto que é tabu para nós empreendedores: grana. Você pode empreender quanto quiser, mas, sem capital, não vai a lugar nenhum. Os empreendedores de palco fazem a plateia acreditar que alguma alma caridosa olhará para sua ideia mirabolante e bancará os seus custos.

Negativo! Ninguém faz negócios com gente que não conhece. Todos buscam pessoas com que partilham interesses semelhantes ou que estejam no mesmo círculo de convivência. O empreendedor que não tem capital está morto, e essas palestras insistem em dizer que basta você ter uma ideia!

O empreendedor precisa de planos. Entre eles, os dois mais importantes são a ideia e a forma de captar o investimento para fazê-la acontecer! É bom você saber que isso não se aprende nas cadeiras escolares, em cursos e palestras. É necessário planejar, é claro, mas, sem encostar a barriga no fogão, ou seja, sem ir para a linha de frente e encarar a dura realidade de abrir um negócio no Brasil, é impossível que sua ideia avance.

Para evitar ciladas típicas de empreendedores de palco, recorro ao colega Bob Wollheim, sócio-diretor da Brands Conversations e coautor do livro ”Nasce um Empreendedor”. Ele diz que uma das coisas importantes antes de gastar um bom dinheiro nessas palestras é observar se os dados que o palestrante apresenta justificam o sucesso que afirma ter.

Outros pontos, segundo ele, são:

  • Motivação:a palestra é mais baseada em motivação do que em conteúdo aplicável.
  • Sucesso:afirma ter conseguido resultados expressivos, mas não disponibiliza nenhuma informação a respeito.
  • Tudo eu:o discurso é concentrado apenas em suas experiências pessoais, em geral exageradas.
  • Esnobismo:deixa de lado ferramentas consagradas de gestão, como o modelo de negócios.

Alguns colegas que foram a palestras desse tipo me contaram que o clima lá dentro é realmente empolgante. A velocidade da fala, as pausas e a movimentação no palco deixam tudo bastante atraente. Esses conhecidos me disseram que saíam de lá com a sensação de que poderiam começar o próprio negócio, mas, logo em seguida, enxergavam a realidade de que não estavam verdadeiramente preparados para assumir um projeto desse tamanho.

A coisa acabava ficando apenas na conversa de bar. Você já deve ter passado por situação semelhante. Um lança na roda de conversa a ideia que teve sobre um negócio sensacional e inovador. Outro afirma ter pensado em algo parecido. Um terceiro conta que precisa de algo que o motive porque não suporta mais o chefe. Fulano complementa dizendo que tem até o ponto ideal.

Aquela empolgação deixa todo mundo ainda mais inebriado. A conta chega, cada um segue seu rumo para casa e, no dia seguinte, volta para sua rotina, deixando aquela ideia de lado, aturando os desmandos do diretor, achando difícil começar algo “nesta altura do campeonato”, com a carreira já encaminhada.

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